Adultização Precoce
Introdução
A infância é uma dádiva de Deus, criada para ser vivida com inocência, aprendizado e desenvolvimento integral. No entanto, vivemos em uma sociedade que, cada vez mais, encurta essa fase por meio da adultização precoce — quando crianças são forçadas a assumir papéis, comportamentos e responsabilidades que não condizem com sua idade.
Jesus valorizou profundamente as crianças e advertiu os adultos a aprenderem com sua simplicidade e pureza (Mt 18.3-5). Mais do que uma questão social, a adultização precoce é um desafio para a educação cristã, exigindo atenção das famílias e da igreja.
O que é adultização precoce?
A adultização precoce ocorre quando crianças são expostas a padrões de comportamento, estética, sexualidade e responsabilidades próprias da vida adulta. Muitas vezes, isso é resultado da influência da mídia, das redes sociais e da pressão cultural.
Essa realidade pode se manifestar de diversas formas:
– Sexualização infantil, estimulada pela mídia, moda e redes sociais;
– Exposição excessiva às telas, que rouba o tempo de brincar e imaginar;
– Pressão cultural e comercial, que valoriza a aparência e o consumismo em detrimento da simplicidade;
– Responsabilidades antecipadas, como cuidar de irmãos, contribuir financeiramente ou assumir cobranças escolares desproporcionais;
– Influência de padrões adultos, presentes no lar, na comunidade e até mesmo na igreja;
– Exposição a conteúdos impróprios na internet;
– Falta de acompanhamento dos pais.
Adultização e o ambiente digital
Nos últimos meses, o debate sobre adultização infantil alcançou também o campo legislativo. O PL 2.628/2022, já aprovado no Senado, prevê a criação de um Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, com medidas como:
– Remoção imediata de conteúdos de abuso ou exploração infantil;
– Controle parental e verificação de idade;
– Regras claras para plataformas digitais, aplicativos, jogos e redes sociais.
– A Bíblia já nos adverte sobre o tempo certo de cada fase da vida:
“Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança; mas, assim que cheguei à idade adulta, acabei com as coisas de criança”
(1Co 13.11).
Quais as consequências da adultização precoce?
As principais consequências da adultização precoce incluem:
– Problemas emocionais e psicológicos, como ansiedade, depressão e baixa autoestima;
– Comprometimento da identidade e da personalidade;
– Fragilidade nas relações sociais, com dificuldade de interação saudável;
– Maior vulnerabilidade à violência e à exploração sexual.
A infância roubada compromete não apenas o presente, mas também o futuro, pois meninos e meninas deixam de vivenciar plenamente a fase mais importante da vida.
A perspectiva bíblica
Jesus valorizou profundamente as crianças e nos advertiu a aprender com sua simplicidade e pureza:
“[…] e disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, nunca entrareis no reino do céu. Portanto, quem se tornar humilde como esta criança, esse será o maior no reino do céu.
Quem recebe uma destas crianças em meu nome, recebe a mim”
(Mt 18.3-5).
A adultização precoce fere o plano de Deus para a infância:
“Tudo que ele fez é apropriado ao seu tempo” (Ec 3.11).
A Bíblia também orienta que os pais assumam a instrução espiritual de seus filhos:
“E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos [.…]” (Dt 6.6-7).
O pastor Antônio Gilberto resume bem:
“A criança é como uma massa de modelar”, devendo ser moldada segundo os princípios da Palavra de Deus. E a Escritura adverte:
“A vara e a repreensão dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma
envergonha sua mãe” (Pv 29.15).
O papel da família e da igreja
A família:
– Limitar o uso de telas e redes sociais;
– Estar presente com diálogo e acompanhamento;
– Ensinar valores cristãos desde cedo, como fizeram Loide e Eunice com Timóteo (2Tm 1.5).
A igreja
– Ensinar sobre o valor e a pureza da infância;
– Criar ministérios infantis bíblicos, lúdicos e contextualizados;
– Orar e interceder pelas crianças e famílias;
– Capacitar professores e líderes para identificar sinais de adultização precoce.
“Abre tua boca em favor do mudo, em favor do direito de todos os desamparados”
(Pv 31.8).
Caminhos para enfrentar o problema
– Ensinar às crianças o valor de ser criança;
– Rejeitar práticas que forcem a imitação precoce da vida adulta;
– Promover encontros de conscientização com os pais;
– Estimular brincadeiras, esportes, música e atividades criativas;
– Fundamentar a formação do caráter na Palavra de Deus (Pv 20.11).
Jesus declarou:
“Jesus, porém, disse: Deixai vir a mim as crianças e não as impeçais, porque o reino do céu é dos que são como elas” (Mt 19.14).
Conclusão
A adultização precoce é um dos maiores ataques contra a infância, pois fere o plano de Deus e fragiliza as famílias. Por isso, família, escola e igreja devem caminhar juntas na proteção das crianças, assegurando que vivam plenamente essa fase tão preciosa. Preservar a infância é preservar o projeto divino para a vida humana.
Referências
CELETI, Gilberto. Os ataques do inimigo às crianças. 3. ed. São Paulo: APEC, 2012.
SILVA, Diva Maria Daniel da. Artigo sobre Adultização Precoce. Ensinador Cristão. São Paulo: CPAD, [s.d.].
UNIÃO FEMININA MISSIONÁRIA BATISTA BRASILEIRA. Manancial: esperança para cada novo dia: meditações diárias para 2025. Rio de Janeiro: UFMBB, 2025.
SENADO. Senado aprova PL para proteção de crianças em ambientes digitais. Disponível em: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2025. Acesso em: 15 set. 2025.
FUNDAÇÃO ABRINQ. Adultização Infantil. Disponível em: https://www.fadc.org.br/noticias/adultizacao-infantil. Acesso em: 15 set. 2025.


