“[…] para conhecer Cristo, e o poder da sua ressurreição, e a participação nos seus sofrimentos, identificando-me com ele na sua morte,
para ver se de algum modo consigo chegar à ressurreição dos mortos.” (Fl 3.10-11)
Paulo ao escrever a carta aos Filipenses fala de alegria e mostra que o maior objetivo da vida cristã não são conquistas humanas, mas conhecer Jesus e para isso encoraja a alegria em Cristo, mesmo em meio às dificuldades. Paulo mostra que a verdadeira alegria não depende das circunstâncias, mas do relacionamento com Cristo (Fl.4.4). Lembramos que os cristãos eram perseguidos e mortos por sua fé e ele mesmo foi preso e açoitado diversas vezes. Na continuação da carta, (Fl 4.13), afirma: “Posso todas as coisas naquele que me fortalece.”. Qualquer situação! Crer em Jesus e viver naqueles tempos não era uma tarefa fácil.
Destaco outra questão interessante em relação ao contexto: ensinar àquela época era desafiador aos que ministravam as boas novas, especialmente os apóstolos e os primeiros convertidos seguidores que conviveram com Jesus. Vamos pensar: o que eles tinham para ensinar, qual currículo, qual texto base, qual comentário bíblico? Não haviam escritos, esses vieram mais tarde, tinham somente seus ensinamentos experienciados, vividos ao lado do Senhor Jesus testemunhando o que haviam vivido com o mestre e a fé de que ele era o messias prometido. sem livros, sem escolas, sem internet, sem EBD, sem meios de comunicação a não ser a oralidade pois ensinavam aquilo que tinham vivido. As cartas que vieram mais tarde e se tornaram fonte de princípios cristãos, alertas, admoestações, conselhos, palavras de encorajamento, amizade e amor fraternal. Foram escritas para dar orientação às igrejas em formação. Mas nos primeiros anos após a ascensão de Jesus, me digam, o que eles tinham a não ser a fé?
Nesse texto Paulo os desafia a conhecer a Cristo profundamente pela fé. Vamos pensar: qual a diferença entre saber e conhecer? Saber é ter informação ou dados sobre algo ou alguém; envolve a mente, o aprendizado intelectual e pode ser superficial e à distância. Ex: sei que Jesus viveu há mais de 2.000 anos. Conhecer por sua vez é ter experiência, relacionamento e vivência; envolve a vida, não só a informação; Implica proximidade, prática e transformação. Ex: Eu conheço Jesus porque me relaciono com Ele, é meu melhor amigo, sei como age.
Paulo sabia e conhecia toda a lei, era israelita convicto, fariseu, sangue hebreu, exímio cumpridor da Lei (Fl 3.5-9). Agora, depois de conhecer a Cristo considera tudo isso como lixo, sem valor, atentar à lei não valia mais nada. Afirma que conhece e quer conhecer mais a Cristo pela fé abundando da presença do Espírito Santo em sua vida por meio de ações, palavras e textos. Paulo cria que Jesus era o cumprimento da promessa, não conviveu com Jesus como os discípulos, mas sua vida fora transformada pela fé. Ele se diz unido a Cristo ou como em outras versões, ser “achado nele”. Esse “unido com Cristo” ou “ser achado nele” indica união com Cristo que envolve três dimensões inseparáveis:
- Sentir o poder da ressureição – o poder da ressurreição é a vida nova, vitória sobre o pecado, esperança escatológica. Em 1Coríntios 15.17 diz que Cristo ressuscitou e isso é garantia de que os que estão mortos estarão com ele. Fomos batizados e sepultados com Cristo e ressuscitados com ele por meio da fé em Deus, que também o ressuscitou.
- Tomar parte de seus sofrimentos. É a identificação com Cristo em rejeição, perseguição e renúncia. Em Colossenses 1.24 Paulo afirma que “Agora me alegro nos meus sofrimentos por vós e completo no meu corpo o que resta do sofrimento de Cristo, por amor do seu corpo, que é a igreja, […]”. Pedro também afirma para a igreja: “Pois digno de louvor é o fato de alguém suportar tristezas, sofrendo injustamente, por causa da consciência para com Deus.” (1Pe 2.20).
- Me tornar como ele na sua morte. Significa a morte diária do “eu” enfatizando que não há ressurreição sem cruz; glória sem sofrimento. O apóstolo faz tudo “[…] para ver se de algum modo consigo chegar à ressurreição dos mortos.” Paulo não expressa dúvida.
Conhecer a Cristo não se resume a uma confissão de fé, mas a uma transformação diária. É aprender com ele, caminhar como ele caminhou, responder às situações da vida como ele responderia. Esse processo molda o nosso caráter e se manifesta de forma visível. Os resultados aparecem na conduta cristã, no amor ao próximo, na obediência à Palavra, na santidade e no testemunho que damos ao mundo.




