“Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta às obras que praticavas no princípio” (Apocalipse 2.5a )
“Bem-aventurados os misericordiosos, pois alcançarão misericórdia” (Mateus 5.7 )
Jesus foi movido por íntima compaixão em seu ministério. Destacamos alguns registros bíblicos:
1) Marcos 6.32-45 “Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e teve compaixão dela, pois eram como ovelhas que não têm pastor; e começou a ensinar-lhes muitas coisas”, para depois alimentá-los pela multiplicação dos cinco pães e dois peixes.
2) Lucas 7.11-15 na porta da Cidade Naim, Jesus presencia uma mãe, no silêncio da sua dor, seguindo o cortejo fúnebre “Logo que a viu, o Senhor se encheu de compaixão por ela e disse-lhe: Não chores”, e trouxe à vida o único filho daquela viúva.
3) Lucas 18.35-43 Jesus ia passando e parou ao ouvir o mendigo cego que clamava repetidamente por misericórdia, e lhe falou: “Que queres que eu te faça? Ele respondeu: Senhor, que eu volte a ver! Disse-lhe Jesus: Vê! A tua fé te salvou.” (v. 41,42).
Toda a Bíblia aponta para o ato salvador e resgatador de Cristo. O que isto nos ensina? Perdoar, pequena palavra com semântica extensa e amiúde confundida com esquecer. Envolve colocar os fatos na proporção correta, mitigando a sensibilidade excessiva dos sentimentos de mágoa e rancor ao lembrar- se de algo que feriu em qualquer tempo passado. Implica, ainda, em assumir que, uma vez já fomos perdoados por Jesus Cristo. A íntima compaixão praticada reiteradamente por Cristo era amorosa, solidária e por compreender a miséria do outro, perdoava, curava e provia resgate.
O perdão pode nos tornar presunçosos. Quantos magoados não perdoam o próprio Deus e se afastam da vida com Cristo, pois lhe atribuem a culpa por algo que feriu, como a perda de um ente querido, desemprego, vida financeira, relacionamentos e tantos outros motivos humanos. Quantos sofrem pois não perdoam a si mesmos por erros passados, vivendo dias de angústia e isolamento por algo já perdoado e esquecido por Cristo: “E não me lembrarei mais de seus pecados e de suas maldades.” ( Hebreus 10.17).
A falta de perdão nos embrutece e podemos perder a empatia, capacidade de nos colocarmos na condição do outro, entendendo seus erros que também são nossas próprias falhas. Erroneamente podemos acreditar que o perdão nos pertence e que a decisão de perdoar cabe apenas a cada um de nós. Entretanto, Lucas 19.10 afirma “Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido”.
Jesus Cristo veio por todos, e isto nos torna responsáveis perante Deus pelos relacionamentos com todos os que nos cercam, pois, uma vez redimidos pelo seu sangue, somos perdoados para também perdoar. O perdão não implica em continuarmos sujeitos a situações que nos ferem. Ao contrário, é não carregar a marca/mágoa que outrora nos oprimiu e agora ser capaz de ver pela lente da compaixão os limites dos outros e suas idiossincrasias. Gênesis 50.19 afirma que José perdoou aos seus irmãos: “Não temais. Por acaso estou no lugar de Deus?
Em 1Samuel 26.11 Davi se recusa a matar Saul, dizendo: “[…] porém o Senhor me guarde de estender a mão contra o ungido do Senhor.” Só é capaz e perdoar quem vai além da própria mágoa e é capaz de ver os propósitos de Deus em cada circunstância. O perdão imerecido e vicário de Jesus Cristo garante a vida eterna. Qual circunstância terrena nos afastará do seu amor? O que se foi e não deixamos partir? O que insistimos em reviver e que já está findo e consumado em Cristo? Aceitar e gerar perdão é libertador e só é possível a um coração quebrantado em Cristo e uma mente firme no Salvador. “Pois, quem jamais conheceu a mente do Senhor para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo.” (1Coríntios 2.16). Amém!




