Tolstói não era um grande admirador do trabalho de Shakespeare. Sua crítica ao texto que inspirou O Rei Leão — uma adaptação livre de Hamlet — não foi nada elogiosa. Segundo ele, a adaptação não merecia aplausos.
Mas, convenhamos: quem não se emocionou — ou até chorou — assistindo ao filme O Rei Leão? O mundo inteiro se encantou com a história de Simba, e o filme se tornou uma das maiores bilheterias da Disney.
Então, o que tudo isso tem a ver com os educadores?
Simples: trabalhamos o tempo todo com ajustes, acomodações e adequações para alcançarmos nossos objetivos educacionais cristãos.
Talvez, se Tolstói tivesse tido a oportunidade de assistir ao filme em uma sala de cinema moderna — com uma tela gigante, cadeiras confortáveis, som perfeito e toda a imersão de uma experiência cinematográfica —, sua opinião não fosse tão dura.
Da mesma forma, trazer o ensino bíblico também exige adaptações. Precisamos ajustar métodos, acomodar ideias e adequar estratégias para que a mensagem chegue com clareza, emoção e verdade — tal como uma boa história que toca o coração e transforma quem a escuta.
No livro O Efeito Covid e a Transformação da Comunidade Escolar, são sugeridas algumas adaptações para o ensino, entre elas:
- Agile Learning: aprendizado ágil.
- Learning Real: para a vida real.
- Learning to Do: para fazer.
- Reflexive Learning: refletir sobre a experiência.
- Learning with Cause: com propósito.
- Adaptive Learning: personalizado.
Talvez precisemos ajustar os conteúdos — muitas vezes excessivamente informativos — que, incessantemente, tomam todo o tempo de aula e acabam esquecendo o essencial: propor um ensino rápido, objetivo, voltado para a vida, para a prática e para a reflexão, que leve ao propósito de compromisso e seja significativo para cada pessoa.
Para Tolstói, Shakespeare não fez uma boa adaptação.
E nós, como educadores cristãos, temos feito boas adaptações em nossa prática de ensino?
Será que temos ajustado o suficiente para que nossos alunos possam experimentar uma bela adaptação do aprendizado — um ensino que desperte encantamento, propósito e transformação?
“Ao concluir Jesus esse discurso, as multidões estavam maravilhadas com seu ensino; […] (Mateus 7.28).




