O Dia Internacional da Mulher representa a luta histórica e mundial pela dignidade da mulher, que nasceu como um movimento legítimo, sobretudo no combate à violência. Mais de um século depois do marco histórico do “8 de março”, o quadro ainda causa indignação. Segundo o Data Senado, 28% das brasileiras já sofreram agressão, sendo que o lar é o local de maior risco. Antes de serem mortas, mulheres são inferiorizadas e abusadas. Diante desse cenário de violência, devemos resgatar, pela Palavra de Deus, o fundamento da dignidade da mulher, pois a compreensão de quem ela é, à luz da criação é uma contribuição indispensável contra a cultura que a desumaniza.
A dignidade da mulher encontra seu primeiro fundamento no ato criacional de Deus. Segundo Gênesis 1.27, homem e mulher são igualmente portadores da imago Dei (imagem de Deus), expressão que afirma a dignidade de toda a humanidade. Em Gênesis 2.18, a mulher é descrita como ʿēzer kenegdô (“auxílio correspondente”), termo hebraico que não indica inferioridade, mas a presença de um auxílio indispensável (Sl 33.20) e adequado à plena realização da humanidade criada por Deus. O feminino foi desenhado por um Deus perfeito.
O pastor batista norte-americano John Piper declara que a feminilidade não é acidental, mas indispensável no propósito de Deus. “Quando Deus descreveu a gloriosa obra de seu Filho como o sacrifício de um marido por sua noiva”, lembra Piper, “ele estava nos dizendo o motivo de nos ter feito macho e fêmea”. Se o modelo bíblico é o de Cristo que se sacrifica pela Igreja, a violência doméstica é, portanto, a inversão completa e demoníaca desse papel. A singularidade da mulher torna a agressão contra ela ainda mais grave do ponto de vista teológico.
A luta pela dignidade da mulher não deve se resumir a um embate político. Para o cristão, o reconhecimento do valor sagrado da pessoa humana é a base para a denúncia da violência. Mas também devemos anunciar a possibilidade de uma identidade restaurada em Cristo. Como Igreja do Senhor, ao celebrarmos esse dia de luta, reafirmamos nosso compromisso de ser um espaço seguro onde a imagem de Deus na mulher seja refletida e respeitada.




