“[…] e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8.32)
Caros leitores!
Para além das credenciais de autoria deste texto, sinto necessidade de me apresentar para que possam entender meu lugar de fala e meus propósitos de escrita desta série (Vida com Deus), a que me dedicarei. Eu me chamo Mariolinda Rosa Romera Ferraz, sou cristã evangélica, serva do Senhor Jesus, membro da Segunda Igreja Batista em Dourados, Mato Grosso do Sul (Brasil), há 45 anos; educadora cristã, graduada pelo Seminário Teológico Batista Ana Wollermann, desde 2002. Casada há 36 anos com Gilberto Ferraz; mãe de filha única. Graduada em Letras e doutoranda em Linguística Aplicada; professora de língua portuguesa, desde 1996.
O ano de 2026 começa, para mim, totalmente diferente: estou aposentada. E agora!? Me considero jovem para “ficar sem fazer nada”, além do mais, como diz um cântico que aprendi na minha infância, “Deus não quer preguiçoso em sua obra.” Diante disso, decidi me reinventar e escrever, algo que já faço há anos, mas, na maioria das vezes, sob perspectiva teórica, didática, acadêmica. A inovação está na escrita livre, nascida no coração, mas, sobretudo, com fundamentos bíblicos – quase impossíveis de serem expostos na Academia.
Este primeiro “episódio” está fundamentado em João 8.32, versículo que diz muito sobre mim e meu resgate pela verdade. Minha família tinha uma tradição espiritual sincrética. Idolatria e até ocultismo faziam parte da forma de viver uma fé vazia e perigosa, pois o fim era, de fato, o fim. Mas fomos lavados no sangue de Cristo, resgatados, libertos; hoje somos adoradores do Deus único. Glórias, pois, a Ele!
Eu, literalmente, fui libertada da morte por várias vezes. Na minha primeira infância, uma bronquite asmática me tirava o fôlego e, aparentemente, ficava como morta. Aos 10 anos, devido a uma hepatite que diluía meu fígado, os médicos não me deram mais chance de vida. Mas DEUS ME DEU VIDA ABUNDANTE! Nessa mesma época, além da cura física, eu e minha família recebemos a cura espiritual. Oh, Deus poderoso, te agradeço! A oração fervorosa dos irmãos da Primeira Igreja Batista em Dourados me tirou do sepulcro físico. O trabalho evangelístico realizado, primeiramente, pelo Pr. Nelson Alves dos Santos e, depois, pelo missionário Pr. Karl Roland Janzen, aproximou minha família do único e verdadeiro Deus.
Em 2024 (aos 54 anos) – cheguei ao ponto desta série – uma nova libertação! Um diagnóstico, uma verdade libertadora! Antes, é necessário acrescentar: comecei a falar com 6 anos de idade; atribuíam-me mudez, já que eu tinha uma tia paterna muda (muda sim; mas não surda). Sempre fui uma criança muito quieta, isolada. Na escola, não saia da sala sequer no intervalo (recreio). Gritaria, corre-corre, cheiro de suor das crianças correndo atordoavam-me… o toque do sino era suportável se eu tapasse os ouvidos. Parecia desinteressada do que acontecia ao meu redor, mas, por mim mesma e naquilo que me interessava, muito curiosa e desejosa de aprender mais. Leitura, letras, livros, palavras… isso me apetecia demais. Estudar foi/é meu hiperfoco. Sempre tirava notas boas. Nunca reprovei de ano na escola. Na igreja, eu era a chata, metida, “insibida” (assim mesmo, com erro de escrita e de pronúncia), a cara feia, a arrogante. Mas a que todos queriam nos grupos de gincana, pois eu “matava” a maioria das questões. Autodidata, aprendi muitas coisas “só olhando.”
O diagnóstico?! Autismo! Estou me (re)conhecendo; me libertando, deixando para trás rótulos amargos e seguindo um novo caminho. Sinto, porém, que na Igreja ainda há muito a se falar, a aprender, a estudar. O currículo eclesiástico não aborda o assunto. Por isso, meu propósito, que chega a ser testemunhal, é falar do autismo em mulheres adultas.
Caminhamos nesta série.
Bibliografia
Dica de leitura: Revista Autismo (digital) – Disponível em: https://www.canalautismo.com.br/revista/




