Um desafio é concebermos a educação para além da concepção do que seja igreja, ainda mais se nela pensarmos em termos apenas institucionais, programáticos, estruturais assim como também conceber a educação na igreja apenas como um departamento ou ministério, um programa ou mesmo um conjunto de eventos dominicais é confundir meios e fins.
A cruz é importante, mas necessitamos aprofundar o que podemos chamar de “evento-Jesus Cristo” que possui cinco componentes conectados e que, juntos, dão o profundo e cabal localizador do centro da história: encarnação | crucificação | ressurreição | ascensão | volta. Para não haver perda de sentido na obra de Jesus, todos esses eventos são importantes e necessitam ser considerados juntos, pois cada um completa o todo. Paulo demonstra que sem a ressurreição o Evangelho seria inútil, vão (1Co 15.14).
A conexão da educação com a ressurreição vem com Paulo: “Portanto, fomos sepultados com ele na morte pelo batismo, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida.” (Rm 6.4).
Andar em novidade de vida aponta para mais além da salvação como se fosse um cartão magnético garantir a abertura da porta do céu. “novidade de vida” implica na substituição de padrões, valores e hábitos reprováveis do passado, da velha pessoa, pelos novos ideais e valores das Boas Novas (Ef 4.22-24; 2Co 5.17).
Não há dúvida que o mundo precisa conhecer as Boas Novas, por isso existe a intencionalidade missionária, mas isso necessita avançar e se aprofundar com a dimensão missional que nos leva a uma perspectiva maior inserindo a intencionalidade da presença do cristão na vida cotidiana em que a novidade de vida irá demonstrar os resultados dessas mesmas Boas Novas em transformar vidas, em torná-las modelos para outros que ainda não foram alcançados.
Ser salvo pensando apenas na conquista do céu diante de todos esses desafios não se sustenta diante de tantas evidências bíblicas que nos levam à necessidade de investir no crescimento das vidas alcançadas pelo evangelho, um crescimento amplo, que vai além do conhecimento doutrinário e dos fatos bíblicos, mas também dos valores bíblicos, dos dilemas da vida cotidiana e a busca de respostas bíblicas para esses dilemas de modo que cada cristão possa cumprir com a dimensão missional para que sejam a luz nas trevas da vida, para que sejam o sal que dê sabor temperado para a vida, para que sejam embaixadores e tradutores do significado da vida aos pés do Mestre.
O missiólogo Ed Stetzer nos ensina que “se vivo uma vida missional, vivo uma vida moldada pela missão de Deus”. Assim, é possível concluir que ser cristão é muito mais, muito mais mesmo, do que apenas nos ocuparmos dominicalmente com nossa “vida religiosa” e tocar a semana como pudermos em nossa “vida secular”.
A verdade é que a partir de minha conversão o meu projeto de vida (prioridades, agenda) é agora o projeto da missĭo Dei e eu me entrego como ferramenta de Deus para que ele, em sua missão de restaurar toda criação e criatura, me tenha como seu instrumento, como sua tradução diante do mundo, em meu ambiente em que vivo na vida pública, no exercício de minha profissão, de minha cidadania, de minha participação em generosidade ao mundo carente, em participar como sal e luz demonstrando o poder transformador das Boas Novas em minha vida pessoal.
Tudo isso requer o investimento na formação e capacitação de cada pessoa que aceita as Boas Novas para que tenha essa vida transformada.
A educação é um dos principais meios e ferramentas para que essas vidas possam ser edificadas nessas amplas dimensões, possuindo fundamentos pedagógicos e estratégias didáticas para que as pessoas possam ser imergidas no estudo da Bíblia para compreender e aplicar os valores e princípios éticos bíblicos etc. Também para promover a busca de respostas para desenvolver sua vida pública de modo atraente a demonstrar o agradável perfume de Deus (2Co 2.14-17) de modo que o mundo possa conhecer a transformação de vida que as Boas Novas promovem, espelhando a novidade de vida que é a principal característica de uma pessoa que representa a ressurreição de Jesus Cristo (Rm 6.4ss).
Novidade de vida e educação andam juntas como dois trilhos de uma ferrovia, onde um trilho é interrompido a viagem para. Convidamos pastores e líderes a refletirem sobre isso e investir no crescimento da educação na igreja de modo que seja ela uma porta para que o mundo possa notar que ser cristão é ter vida nova e transformada, espelhando a ressurreição de Cristo e, assim, seja atraído para aceitar as Boas Novas.




