Com certeza você já ouviu a expressão “agente de transformação”, ou até foi apresentado ou incentivado a agir como tal, mas será que este termo tem a ver com o trabalho formativo e educacional desenvolvido no contexto das Igrejas? Talvez, isso não cause estranhamento, mas existe uma razão que altera o modo como se enxerga ou se apropria desse termo.
O termo “agente de transformação” não é encontrado como uma referência bíblica, antes é proveniente da produção humana, sendo empregado por diferentes campos da ciência que evidenciam a capacidade de homens e mulheres para influenciar e impactar vidas. De fato, ele parece inofensivo e até humanitário, porque a intenção é promover o bem maior, não é mesmo?!
Interessante, que este termo adentra o espaço educacional a partir de pautas sociais, no sentido de defender e buscar a formação da autonomia e do protagonismo social, alterando o futuro dos que são alcançados pela ação educativa de docentes comprometidos com uma perspectiva revolucionária. Isso indica que é um esforço humano que se estabelece por uma ideia, uma paixão, um desejo pessoal, uma causa, em prol daqueles que sofrem exclusão e vivem em contextos de vulnerabilidade.
É muito comum nos espaços formais de educação defender que cada docente atua como agente de transformação, ou seja, é dito que a partir do seu trabalho pessoas, cenários e processos podem vir a ser modificados, alterando histórias; e com certeza isso não é ruim. Afinal, promover a justiça é algo digno. Contudo, a questão que perpassa e que precisa ser refletida, é de que o ser humano tem competência para transformar vidas. Será mesmo?
Ao transpor tal termo para o contexto eclesiástico, observa-se que há um fosso estabelecido. Primeiro, porque o sentido do fazer da Igreja não se move por pautas sociais. Segundo, existe uma clara convicção de que o trabalho formativo não se firma em uma perspectiva revolucionária. Terceiro, o que move a ação educadora não é uma ideia, paixão ou desejo pessoal. Por tais motivos, não se tem como atribuir aos educadores cristãos a denominação de agentes de transformação.
Esta perspectiva ao adentrar o espaço da igreja o faz de modo ampliado, visto que alcança todos os participantes. E, de uma maneira quase que automática, se é convocado a ser agente de transformação, mas isso não é algo que está para além de cada um? Será que é humanamente possível mudar a forma de alguém ou de algo?
O processo de transformação na vida cristã ocorre de dentro para fora. É um ato que requer a ação do Espírito Santo, portanto, não pode advir do ser humano. O apóstolo Paulo exorta a transformar-se a partir da renovação da mente, ou seja, de uma ação que produz mudança completa, o que se denomina metanoia. Essa só ocorre em Cristo, pois somente Ele é que pode transformar integralmente mente e coração.
Em Cristo, se é nova criatura. Aleluia! Ao compreender que somente Cristo transforma, cada um é convidado a participar como um agente que proclama o evangelho de Deus. Se é convidado a sentar à mesa, desfrutar da sua presença e compartilhar do seu amor.
Em relação ao papel a ser exercido por educadores cristãos, compete dizer que sua missão é anunciar com alegria as grandezas do reino. Isso indica dependência, reconhecimento da soberania divina e compreensão do sentido da vida que está em glorificar a Deus.
Os educadores cristãos são, portanto, chamados a ser promotores do reino, porque objetivam fazer a vontade de Deus, que é boa, agradável e perfeita. Eles têm consciência que o seu fazer educativo visa a formação de verdadeiros adoradores, porque só assim é que se pode viver a real transformação em Cristo.
Diante disto, conclui-se que não se é chamado para ser agente de transformação, mas de promoção do reino. Porque não é sobre mim ou você, mas sobre Ele. Assim, na dependência de Cristo a obra é realizada, a fim de que a mensagem do Evangelho ultrapasse fronteiras e que o seu nome seja conhecido e exaltado. Essa é a missão do educador cristão e, também, a vocação assumida. Então, glórias sejam dadas a Deus, nosso Senhor. Amém.



