Parabéns educador cristão, guarda das fontes!
Peter Marshall conta esta analogia em seu sermão intitulado Guarda das Fontes:
“Era uma vez um certo povoado que cresceu no pé de uma cordilheira. A aldeia foi protegida pelas alturas dos montes, de modo que o vento que tremia as portas e arremessava punhados de granizo contra as janelas era um vento cuja fúria já foi gasta. No alto nas colinas, um misterioso e calmo morador da floresta tomou sobre si a incumbência de ser Guarda das Fontes. Ele patrulhava as colinas e onde quer que ele achasse uma fonte, ele limpava sua piscina barrenta de lodo, e tirava toda matéria estranha. Desta forma, a água que borbulhava da fonte corria para baixo limpa, fria e pura. A água pulava cintilante sobre pedras e derramava alegremente em cascatas de cristal até que, fortalecido por outros córregos, tornou-se um rio de vida para o movimentado povoado. As rodas de azenha giravam por sua força. Os jardins foram refrescados por suas águas. As fontes a jogavam como diamantes no ar. Os cisnes navegavam em sua superfície límpida, e crianças riam brincando nos seus bancos na luz do sol.
Mas o Conselho de Cidade era um grupo de homens de negócios, pães duros e práticos. Esquadrinharam o orçamento cívico e acharam o salário do Guarda das Fontes. Disse o Guarda da Bolsa: “Por que nós devemos pagar esse sujeito? Nós nunca o vemos; ele não é necessário à nossa vida de negócios no povoado. Se construirmos um reservatório perto da cidade, nós poderemos dispensar seus serviços e poupar seu salário”. Com isso, o Conselho de Cidade votou para dispensar o gasto desnecessário com um Guarda das Fontes, e construir um reservatório de cimento.
Então o Guarda das Fontes deixou de visitar as piscinas barrentas, mas observou das alturas enquanto construíram o reservatório. Quando terminaram logo encheu com água, mas a água não parecia ser a mesma. Não era mais limpa, e uma espuma verde logo contaminou sua superfície estagnada. Havia problemas constantes com a maquinaria delicada dos moinhos, frequentemente entupido com o lodo, e os cisnes acharam outro lar distante do povoado. Finalmente, uma epidemia se alastrou, e os dedos amarelos da doença alcançaram cada lar em cada rua e alameda.
O Conselho de Cidade se reuniu outra vez. Tristemente, encarou como a cidade estava em apuros, e francamente reconheceu o erro em demitir o Guarda das Fontes. Procuraram-no na sua barraca alta nas colinas, e imploraram-lhe que retornasse ao seu abençoado trabalho. Felizmente, ele concordou e começou mais uma vez a fazer suas rondas. Não demorou até que água pura viesse cantarolando felizmente para baixo sob túneis de samambaias e musgos e a cintilar no reservatório limpo. As rodas de azenha rodaram como antigamente. Os odores desapareceram. A doença diminuiu, e crianças em recuperação das suas doenças se alegraram outra vez, porque os cisnes haviam voltado.”
Diante disso, a história humana, as invenções e as inovações no campo das ideias mudam cada vez mais rapidamente, e nós, educadores, somos testemunhas dessa mudança dia após dia. Os avanços tecnológicos modificam as formas de comunicação, e a humanidade continua a caminhar em busca de novas relações entre os saberes e de uma melhor compreensão do mundo em que vivemos. Nessa caminhada, buscamos ser Guardas das Fontes que favoreçam a construção do conhecimento em meio a tantas informações.
Essa analogia realça a importância do educador não apenas como construtor de conhecimentos, mas também como protetor, cultivador e cuidador do tesouro mais valioso da humanidade: a formação do caráter, dos ideais, das atitudes e da conduta das pessoas, tal como Jesus ensinou ao apresentar a educação como instrumento de transformação.
Quando William H. Gates, em seu livro, a Estrada do Futuro, refletiu sobre a chegada de uma revolução tão importante quanto a invenção da imprensa por Gutenberg, mal podíamos imaginar o alcance de suas ideias e o caminho que iríamos percorrer. O autor, mais conhecido como Bill Gates, foi um dos primeiros a demonstrar a dimensão das transformações que a tecnologia poderia provocar, inclusive para nós, profissionais da educação.
Pouco antes dessa época, eu acabara meu primeiro curso de informática para professores, e a pergunta que fora lançada por um professor era se não estávamos diante do fim da sala de aula.
Quando li esta ilustração de Peter Marshall, imediatamente a associei aos educadores cristãos como Guardas das Fontes, que têm a responsabilidade vital de zelar pela pureza e pela limpeza da água, garantindo que a comunidade tenha acesso a um recurso essencial para a vida. Posto isso, a educação, assim como a água, é um bem indispensável à formação humana e jamais perderá sua importância, visto que fomos forjados na missão e para a missão por Jesus, a fonte de água viva, como escrito em João 4.10.
Os educadores desempenham um papel igualmente decisivo na sociedade, atuando como mediadores do conhecimento e contribuindo para a construção dos valores que sustentam o desenvolvimento humano.
Assim como os guardas das fontes limpam as nascentes para que a água não seja contaminada e continue a nutrir a vida, torna-se desafiadora a tarefa de educar neste tempo: é preciso filtrar o que é essencial, verdadeiro e transformador, ajudando os alunos a discernir informações e enfrentando o desafio constante de criar modalidades emergentes de aprendizagem e renovar as formas de percepção e de vivência de experiências significativas.
Mas o que precisamos aprender para entender o mundo e lidar com suas inúmeras informações? Quais habilidades os alunos devem desenvolver para enfrentar os novos tempos?
Como Guardas das Fontes, precisamos continuar ensinando nossos alunos a lidar com o excesso de informações e, muitas vezes, com mensagens contraditórias à sua fé e à sua prática. Precisamos ensiná-los a se posicionar diante de um mundo em constantes mudanças, a fazer escolhas responsáveis e a arcar com as consequências de suas decisões.
Assim como o ambiente da fonte precisa estar limpo para que a água possa fluir livremente, o educador cria e mantém um ambiente educacional saudável, estimulante e seguro, onde o aprendizado pode acontecer. Ele cuida para que a motivação e a curiosidade dos estudantes não sufoquem os valores que aprenderam para a eternidade.
Os Guardas das Fontes asseguram a continuidade da vida para toda a comunidade. De modo semelhante, os educadores, ao formarem cidadãos críticos e conscientes, cidadãos do Reino do Senhor, contribuem para a sustentabilidade social, ética e espiritual da sociedade.
Por isso, que não nos falte disposição para subir as colinas, procurar as nascentes, retirar o que as contamina e proteger aquilo que ainda é puro. Que saibamos reconhecer que cada vida que passa por nossa ação educativa carrega consigo uma história, uma possibilidade e um futuro que não podemos prever, porém crer naquele que é a fonte de água viva, que conhece os planos que tem para eles, de dar -lhes esperança e um futuro (Jeremias 29.11).
Educadores, certos da missão que nos foi dada sejamos, portanto, Guardas das Fontes, Guardas do conhecimento, Guardas da esperança, Guardas dos valores e Guardas da humanidade que desejamos preservar e construir, pois educar é, em última instância, cuidar da fonte para que a água continue a correr. E enquanto houver alguém disposto a cuidar dessa fonte, haverá também a possibilidade de que novas gerações encontrem nela conhecimento, sabedoria, esperança e vida.
PARABÉNS, EDUCADOR CRISTÃO, GUARDA DAS FONTES!
Referências:
GATES, William H. A estrada do futuro. Rio de Janeiro: Companhia das Letras, 1995.
MARSHALL, Peter. Analogia em seu sermão intitulado Guarda das Fontes. Traduzido por Dennis Downing para o site www.hermeneutica.com. Revisado por Ewerton B. Tokashiki. Disponível em: https://www.academia.edu/43188818/O_Guarda_das_Fontes_por_Peter_Marshall.



