Somos unânimes em afirmar a necessidade de se estudar a Bíblia. Das muitas ênfases que reiteramos desde nossa conversão e vivência de/na igreja. E qualquer igreja bíblica jamais prescindirá do estudo bíblico como meio para manutenção da fé (Rm 10.7) e crescimento espiritual. E a alavanca para tornar isso possível foi a decana Escola Bíblica Dominical, iniciativa de Robert Raikes, trazida para o Brasil por Robert e Sara Kalley, o epicentro do ensino de nossas paróquias no século XX!
Com o advento de novas abordagens, novos modelos e formatos de ser e viver igreja, surgiram os pequenos grupos, células, núcleo de estudos bíblicos etc., embalados por diversas metodologias para crescimento das comunidades. As Igrejas tornaram-se consumidoras destas “fórmulas” de crescimento e, concomitante, dos diversos formatos de ensino. (Nas últimas décadas pululavam modelos prometendo crescimento – igrejas “dinâmica”, “com propósito”, “DNA”, “em células” etc. sobretudo na diversidade de ferramentas da Internet.
Eis que chegamos em abril, o mês da Escola Bíblica Dominical. Igrejas tradicionais o celebram. E devem fazê-lo – oportunidade de estimular o estudo bíblico e revisar o baú de memórias. Aproveito para compartilhar uns “pontos salientes”* sobre o tema:
Igrejas são, antes de tudo ou, para além de tudo, escolas! Escolas para a vida e o viver. Apesar da consagrada frase de que “igreja é hospital” (porque socorre, cura, recupera pessoas), é mais verdade afirmar “igreja é escola”! Numa igreja, tudo é ensino e… Ensino é tudo!
A escola de uma igreja poderá não necessariamente ser “dominical” – pode acontecer em qualquer dia, de acordo com a possiblidade de seus alunos. Mas ela terá de ser bíblica! O dia não é sagrado, mas sua razão de ser – o estudo da Bíblia, é i-ne-go-ciá-vel!
O estudo da Bíblia num espaço-templo não dispensa as famílias de uma Comunidade de estudá-la em casa! Aliás, o estudo em comunidade é resultado do estudo em família. Uma prática não substitui a outra! (E, ambas, não substituem o estudo particular… Há, portanto, três dimensões do estudo bíblico: Pessoal, familiar e comunitário).
Assim como no exemplo acima, o instrutor da Bíblia não substitui a instrução/papel/missão de pai/mãe/responsável. Explico: O pastor, professor(a), discipulador(a) ou qualquer outro que instrua a Bíblia não cumpre papel da formação primeira e doméstica, de pais/responsáveis, assim como a igreja não cumpre papel do conteúdo a ser instruído em casa. Aquela deva complementar e enfatizar o papel desta!
“A fé vem pelo ouvir a Palavra”. O contrário é verdade: A incredulidade e o esfriamento vêm pelo não ouvir a Palavra. Estudar a Bíblia não pode ser confundido com o consumo de devocionais, podcasts, áudios com meditações, músicas “gospel” – ainda que algumas ferramentas ou recursos possam facilitar seu (dela) entendimento: A finalidade é o estudo bíblico, da Bíblia, a Palavra de Deus!
A Escola Bíblica Dominical, a popular EBD, foi por décadas a impulsora do estudo bíblico. Gerações foram formados nela, por ela, através dela. Abril é um mês para homenageá-la: É imensurável e indescritível o legado dos encontros dominicais para estudar a Bíblia. Toda uma cultura do Brasil protestante (e evangélico) foi consolidada na tradicional EBD! Hoje muita coisa mudou, e, com estas mudanças, muitos novos e outros formatos de/para/com/por estudo bíblico.
Estudar a Bíblia está para nós como o oxigênio está para a vida, portanto, viva a Escola Bíblica!
(*)Sim, tomei emprestado o título (Pontos Salientes) da revista doutrinária e devocional dos batistas que inundaram as paróquias nas décadas de 80, 90 e 2000. Da boa fundamentação de seus estudos como recurso de apoio ao estudo bíblico, devo-lhe muito de minha formação de vocacionado e educador.
Referência
https://www.instagram.com/geraldinhofariass/