Estou lendo um livro com o título “Como pensar como um filósofo?”¹, que apresenta, de forma resumida, o pensamento e a visão de diversos filósofos e pensadores. Entre eles, destaca-se o taoísmo, que certamente influenciou o zen-budismo e o neoconfucionismo — correntes que nos levam a reflexões profundas e fascinantes sobre a natureza da realidade e sobre como conduzir a vida.
O autor faz então uma pergunta essencial: o que é o Tao? A palavra significa “via” ou “caminho”. A partir disso, surge uma questão reflexiva, instigante e central do taoísmo: qual é o caminho para o caminho?
Logo, para um educador cristão, surge rapidamente uma conexão com essa pergunta: qual é o caminho para o caminho da educação para a vida cristã?
Parece fácil? Simples? Ou desafiador?
Talvez sejam os três: fácil, simples e desafiador!
- Fácil, porque a resposta está no livro mais atual que o jornal que sairá amanhã. Assim falava Billy Graham² sobre a Bíblia. É a partir dela — e não de outros livros — que se constrói o verdadeiro caminho educacional para a vida cristã. Não como um pretexto, mas como o texto único, verdadeiro e vivo, que nos faz ouvir a voz do Criador e direciona os nossos passos.
- Simples, porque há uma trilha clara de ensino, aprendizagem e de um processo contínuo rumo ao pleno conhecimento de uma vida cristã. Na filosofia, conhecer significa chegar à essência de algo ou de alguém. Conhecer a essência de Deus e o seu plano eterno é a verdadeira matriz curricular da educação para a vida cristã.
- Desafiador, porque ao longo do caminho podem surgir distrações, com a tentação do “muito saber” ou de conteúdos que promovem um novo humanismo característico do século XXI³. Nesse contexto, o homem é colocado no centro do ensino. Na esfera secular, pode até fazer sentido. Mas, no caminho que conduz ao plano eterno da salvação, é necessário colocar Deus no centro, para que sua presença irradie sobre toda a vida cristã — esse é o objetivo de cada educador ou professor da Palavra.
Ao ensinar a partir de Deus, chegamos a Cristo, que é parte do plano eterno. O professor, Jesus, nosso modelo, aplica então um conteúdo vivo, desafiador, comovente, envolvente, verdadeiro e prático, como relata Mateus 7.28-29:
“Ao concluir Jesus esse discurso, as multidões estavam maravilhadas com seu ensino; pois ele as ensinava como quem tem autoridade, e não como os escribas”.
Com Jesus, as pessoas ficavam maravilhadas. Com os mestres da lei, havia apenas conhecimento, sem maravilhamento.
Talvez você pense: “Mas já fazemos assim!” Será mesmo? Se fosse, por que vemos nossas Escolas Bíblicas sendo cada vez mais substituídas ou até deixando de existir?
Porque precisamos de tantas e as vezes novidades que ficam na teoria e não na prática do dia a dia dos quadros e bancos das igrejas. Parece que aponta para sermos como os mestres da lei, conhecedores dos saberes e não das maravilhas da palavra viva e eficaz.
Lembra da história da cachoeira e do povo? No início, todos iam até a cachoeira, provavam daquela água viva, refrescante, bela e verdadeira — podiam tocá-la, senti-la e experimentá-la. Com o tempo, deixaram de ir até a cachoeira. Passaram apenas a ouvir sobre ela em salas fechadas, recebendo ilustrações, dados e informações minuciosas.
E a vida? O interesse foi se perdendo. Por quê? Porque a cachoeira já não era mais vista, sentida ou vivida. Tornou-se apenas um lugar distante, restrito à imaginação.
Assim é a Palavra de Deus, que aos poucos foi sendo colocada tão distante do povo, que muitos perderam o interesse.
O teólogo e educador Hugo de São Vítor (1096–1141), em seu livro A Instrução dos Principiantes, escreveu:
“O educador visa conduzir o aluno ao estudo da teologia e, sobretudo, à meditação das Sagradas Escrituras, para que, então, possa ouvir interiormente a própria Palavra de Deus e seja capaz de imitar o verdadeiro Pedagogo, Cristo, tornando-se, enfim, como Ele: encarnação da sabedoria”.
Afinal, a Palavra de Deus é a fonte inesgotável. Quando o aluno aprende o caminho para a fonte, encontra direção, vida e verdade.
Então, qual é o caminho para o caminho?
É lembrar que o educador precisa manter-se sempre alinhado ao propósito de conduzir pessoas — que aceitaram o plano eterno e a salvação em Cristo — para serem cada vez mais parecidas com Cristo, até a volta de Cristo.
Querido educador, existem possibilidades que podem melhorar e até ajudar na caminhada, mas não é o caminho.
Não permita que o caminho seja a partir do homem, mas sim de Deus!




