Era primavera na Grécia Antiga. Entre flores e oferendas, celebrava-se Reia, a mãe dos deuses. Em Roma, Cibele, a Magna Mater, recebia honras em rituais que exaltavam a força da maternidade. Séculos depois, na Inglaterra do século XVII, os trabalhadores tinham um dia de folga para visitar suas mães, o chamado Mothering Day. Pequenos gestos que, sem saber, pavimentaram o caminho para uma celebração universal. E já naquela época ecoava a sabedoria bíblica: “Honra teu pai e tua mãe, para que tenhas vida longa na terra que o Senhor teu Deus te dá.” (Êxodo 20.12).
No início do século XX, nos Estados Unidos, Anna Jarvis transformou a saudade em luta. Após perder sua mãe, Ann Reeves Jarvis — uma cristã metodista episcopal, ativista que fundara clubes de apoio às mães trabalhadoras e campanhas contra a mortalidade infantil — Anna decidiu que o mundo precisava de um dia para reconhecer a importância da maternidade. Em 1908, realizou a primeira celebração oficial na Igreja Metodista de Grafton. Em 1914, o presidente Woodrow Wilson oficializou a data. Ironia do destino: Anna, que sonhava com um dia de união e reflexão, viu sua criação ser engolida pelo comércio de flores e cartões. “Não criei o Dia das Mães para ter lucro”, lamentou. Mas a Palavra lembra: “Seus filhos se levantam e a chamam bem-aventurada, o marido também a elogia, dizendo: Muitas mulheres agem de maneira virtuosa, mas tu superas a todas.” (Provérbios 31.28,29).
No Brasil, a data chegou em 1918, trazida pela Associação Cristã de Moços de Porto Alegre. Mas foi em 1932, sob decreto de Getúlio Vargas, que o segundo domingo de maio se tornou oficial. Desde então, mães brasileiras recebem flores, abraços e, muitas vezes, presentes comprados às pressas. Entre o afeto genuíno e o apelo comercial, o Dia das Mães se consolidou como uma das datas mais celebradas do país. E em cada gesto de carinho, cumpre-se a promessa: “Como alguém a quem a mãe consola, assim eu vos consolarei; […].” (Isaías 66.13). Hoje, ao olharmos para trás, percebemos que o Dia das Mães é mais que uma data: é um espelho da nossa relação com quem nos deu a vida. Entre o sagrado da Antiguidade e o consumo moderno, permanece o gesto essencial — lembrar que mãe é presença, é raiz, é história. E como nos ensina o salmista: “Os filhos são herança do Senhor, e o fruto do ventre é a sua recompensa.” (Salmos 127.3).
Referências bibliográficas (ABNT)
- DIANA, Daniela. Origem do Dia das Mães. Toda Matéria. Disponível em: <https://www.todamateria.com.br/origem-do-dia-das-maes/>. Acesso em: 29 abr. 2026.
- HANDWERK, Brian. Qual é a origem do Dia das Mães e como ele se tornou o pior pesadelo de sua fundadora? National Geographic Brasil, 10 maio 2024. Disponível em: <https://www.nationalgeographicbrasil.com/>. Acesso em: 29 abr. 2026.
- BRASIL ESCOLA. Dia das Mães: origens, comercialização e no Brasil. Brasil Escola. Disponível em: <https://brasilescola.uol.com.br/datas-comemorativas/dia-das-maes.htm>. Acesso em: 29 abr. 2026.
- WIKIPÉDIA. Anna Jarvis. Wikipédia, a enciclopédia livre. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Anna_Jarvis (pt.wikipedia.org in Bing). Acesso em: 29 abr. 2026.




