Uma orquestra é composta por diversos instrumentos, feitos de materiais diferentes, sonoridades diferentes. O que há em comum na reunião de músicos que tocam instrumentos diferentes na orquestra é o compromisso que tem em olhar numa só direção para que obras musicais sejam executadas com harmoniosa excelência: para a regência.
Ao pensarmos na maternidade em toda sua complexidade, precisamos buscar no poder do Espírito Santo a capacidade de harmonizar notas de afeto, limites claros, direcionamento e exemplo nas diversas fases da vida de nossos filhos. Como um instrumento musical nas mãos do instrumentista, somente a mãe que decide ser regida pelo fruto do Espírito (Gálatas 5.22-23) pode transformar os desafios da maternidade em testemunho, exemplo, legado e discipulado.
O Fruto do Espírito é o conjunto de qualidades que uma mãe deve perseguir. Justamente por não se reconhecer apta ou preparada para a maternidade, a escolha do maestro para conduzi-la trará objetivo, foco e dependência. Quando o Espírito Santo se torna o maestro dessa mulher-mãe, os sinais se manifestam nela, e reverberam na vida dos filhos. Quando cada gomo desse fruto é, intencionalmente, cultivado em sua mente e coração, suas escolhas não são mais à revelia, pois ela tem uma regência a ser seguida. Vamos ver o que essa regência garante:
- A mãe regida pelo fruto do Espírito tem AMOR: Não obstante sabermos do vínculo que une mãe e filho, o amor que vem do Espírito Santo é o amor sinônimo de “vínculo da perfeição”, aquele que está descrito em Colossenses 3.14: “E, acima de tudo, tenham amor, pois o amor une perfeitamente todas as coisas“. O amor da mãe regida pelo fruto do Espírito vem da fonte divina: é incondicional, sacrificial e não se mede pelas circunstâncias, porque transborda do perfeito amor que Deus é.
- A mãe regida pelo fruto do Espírito tem ALEGRIA: Em meio à agitação e responsabilidades de quem recebe o selo de mãe, a alegria não é uma condição de euforia, mas de júbilo. Ela se reflete nas atitudes, nos movimentos ágeis do fazer tantas coisas ao mesmo tempo, no doar-se sem pedir nada em troca. Neemias 8.10 traz a resposta sobre a fonte dessa alegria no meio do turbilhão da vida materna: “[…] não fiquem tristes, pois a alegria que o Senhor dá fará com que vocês fiquem fortes“. Essa alegria é a inexplicável força interior e exterior da mãe que escolhe a presença de Deus a cada passo da jornada.
- A mãe regida pelo fruto do Espírito tem PAZ: Desfrutar de paz em meio a brinquedos espalhados no lugar de uma casa arrumada, dos dilemas da adolescência, das decisões da juventude ou da mudança de uma mãe que se torna, também, sogra, pode estar longe dos olhares mais desavisados. Mas a mãe que depende do Espírito Santo pode levantar, respirar fundo e declarar que “[…] a paz de Deus, que ninguém consegue entender, guardará o coração e a mente […]”, em um exercício que exigirá gerência dos temperamentos, coração e mente postos em unidade com Cristo Jesus.
- A mãe regida pelo fruto do Espírito tem LONGANIMIDADE: Ter uma “paciência paciente” é, talvez, um dos maiores desafios da maternidade. São mães tentantes para engravidar, são grávidas à espera do nascimento, são mães vivendo cada fase do desenvolvimento, e que podem ter diante de si desafiadores diagnósticos que as farão enfrentar incertezas, quando o chão sai debaixo dos pés. O tempo, as surpresas e a dinâmica do dia a dia só deixam para a mãe dependente do Espírito Santo a possibilidade de se revestir de profunda longanimidade, como nos textos de Colossenses 3.12 “Portanto, como povo escolhido de Deus, santo e amado, revistam-se de profunda compaixão, bondade, humildade, mansidão e longanimidade” e Efésios 4.2 “Sejam sempre humildes e amáveis. Sejam pacientes uns com os outros e mostrem amor, suportando-vos uns aos outros.” Então, haja paciência!
- Uma mãe regida pelo fruto do Espírito tem a marca da BENIGNIDADE: Benignidade é a inclinação do coração para amar de forma afetiva e terna. Isso, em geral, vem no pacote da maternidade, mas não é tão simples para algumas mães. Quando isso acontece, exercitar-se diariamente com ações práticas farão essa característica florescer, enxergando nos filhos o que ninguém vê, investindo neles, dando chances, perdoando, orando e trabalhando com todo empenho para moldar o caráter e ajudá-los a crescer. Colossenses 3.12 convoca a mãe regida pelo fruto do Espírito: “Revestí-vos, pois, como eleitas de Deus, santas e amadas, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade”.
- Uma mãe regida pelo fruto do Espírito exerce BONDADE: Diferente da benignidade, que se manifesta com subjetividade, a bondade é a inclinação do coração, gerada pelo Espírito Santo, para praticar o bem. Podemos dizer que a bondade é a benignidade em ação. Para além dos sentimentos que envolvem a relação mãe e filho, a bondade é a atitude de fazer o bem para os filhos sem a preocupação por recompensas, independente do reconhecimento. É exercer uma atitude de pastoreio e serviço com generosidade, resultado de uma vida de devoção a Deus, uma vida que frutifica, uma vida que proclama aos filhos que “O Senhor é bom, um refúgio em tempos de angústia. Ele protege os que nele confiam” (Naum 1.7).
- Uma mãe regida pelo fruto do Espírito tem FIDELIDADE: Comparada a um escudo de proteção, a fidelidade traz à relação mãe e filho a certeza de lealdade, firmeza, constância e confiança, características cada vez mais raras nos dias de hoje. Significa que, diante das situações mais complexas da vida, é no olhar da mãe que o filho vai encontrar confiança, refúgio, colo, lugar seguro. A certeza de que existe alguém no mundo que não irá trair a confiança coloca a mãe em um patamar somente superado pelo lugar de Jesus na vida do filho, quando este o recebe como salvador e Senhor de sua vida. Provérbios 31.30 que diz “A mulher que teme ao Senhor, essa será louvada“, destaca que o verdadeiro valor e a honra de uma mãe vêm de sua reverência a Deus, de sua vida de adoração, temor e reconhecimento de sua fidelidade a cada segundo de sua vida. O prêmio é garantido à mulher fiel: ela terá a “coroa da vida” (Tiago 1.12; Apocalipse 2.10).
- Uma mãe regida pelo fruto do Espírito é tomada por MANSIDÃO: A mansidão é descrita como uma disposição de agir com doçura e humildade, com o objetivo claro de imprimir o caráter de Cristo no filho através de uma postura de quem busca se parecer com ele enquanto educa, corrige. É substituir condutas manipuladoras e controladoras por condutas assertivas e firmes, sem violência e sem abuso de autoridade. É quebrar o ciclo de raiva e agressividade com a resposta “[…] branda que desvia o furor […]”, conforme Provérbios 15.1. É não provocar a “[…] ira dos filhos”, como nos aconselha Colossenses 3.21. É a busca incessante de ser cada vez mais “[…] mansa e humilde de espírito”, como Jesus nos convida em Mateus 11.29. O resultado dessa busca por mansidão é o “[…] descanso para as vossas almas”. Descansar à “[…] sombra do Onipotente” (Salmo 91.1) é tudo que uma mãe não deve estar disposta a rejeitar.
- Uma mão regida pelo fruto do Espírito conquista o DOMÍNIO PRÓPRIO: A capacidade de governar as próprias emoções e reações diante dos gatilhos do dia a dia dá à mãe que busca viver sob o controle do Espírito Santo é o domínio próprio. Esta característica é alcançada por aquelas mães que galgam a maturidade no Senhor, independentemente da idade cronológica. Uma mãe que conquista o domínio próprio é testemunho cristão dentro de casa e uma cartilha de ensino aos filhos que merece ser seguida. Mães que reconhecem a pressão desse papel buscam conselhos, pastoreio, leituras e terapia, entendendo suas limitações, sua história de vida, seus sentimentos, vitórias e decepções. Elas levam tudo ao “[…] trono da graça […]” (Hebreus 4.16) porque reconhecem que, se não levarem a Deus os dilemas da maternidade, podem explodir em depressão ou estresse. Esse apoio do Espírito oferece o freio necessário no momento da ira e a força para dizer “não” aos próprios impulsos. Ter domínio próprio é crucificar o “eu” para que Cristo viva (Gálatas 2.20).
A mãe regida pelo fruto do Espírito é aquela que escolhe viver com a mente focada no que o Espírito deseja para ela, sem distrações ou atalhos. Ao caminhar no Espírito, a maternidade deixa de ser um fardo de regras e afazeres a desempenhar para se tornar uma jornada de transformação mútua, onde mãe e filhos crescem juntos à imagem de Cristo. Que Deus nos capacite nessa busca. Que ele seja sempre o maestro e, cada mãe, um instrumento ao seu dispor (ouçam essa minha composição em):
https://youtube/RUShz_t6ylQ?si=Up_VSDGcOWZmPJ1G).




