A temática saúde emocional tem sido muito refletida no momento vigente. A Organização Mundial de Saúde (OMS) define saúde mental como “um estado de bem-estar onde o indivíduo realiza suas próprias habilidades, lida com os fatores estressantes normais da vida, trabalha produtivamente e é capaz de contribuir com a sociedade”.
E refletindo sobre a saúde emocional da família, se refere ao bem-estar emocional de todos os membros da família como um todo. Envolve a capacidade da família de lidar com o estresse, de se comunicar de forma eficaz, de estabelecer relacionamentos saudáveis e de apoiar uns aos outros emocionalmente.
Uma família com boa saúde emocional é capaz de expressar suas emoções de maneira saudável e comunicar-se de forma aberta e respeitosa. Os membros da família têm habilidades de resolução de conflitos e são capazes de lidar com o estresse de forma construtiva. Eles se apoiam mutuamente e criam um ambiente seguro e acolhedor para expressar suas emoções.
Segundo Kreppner (2000, 2003) apud Dessen; Braz (2008), a família tem um importante papel na sobrevivência humana e na transmissão de valores, tradições e significados culturais. Os membros familiares são participantes ativos nas relações, exercendo influências mútuas e bidirecionais entre eles. As interações e os padrões de comunicação estabelecidos entre os membros nos diferentes subsistemas familiares têm um efeito continuado sobre o desenvolvimento da família, influenciando esses membros nas diferentes gerações.
A saúde emocional da família é fundamental para o desenvolvimento saudável de cada membro, pois influencia diretamente a forma como as crianças aprendem a lidar com as emoções e a estabelecer relacionamentos saudáveis. Uma família com boa saúde emocional é capaz de fornecer um ambiente estável e seguro, onde os membros da família podem expressar suas preocupações e emoções sem medo de julgamento ou repressão.
A família é um lugar de acolhimento e de proteção, local onde as pessoas aprendem a ser bons cidadãos desde a infância e são cuidados ao longo de toda a vida. Em seu seio pode ter lugar tanto o melhor como o pior dos sentimentos humanos. A saúde emocional da família promoverá um ambiente promissor para o equilíbrio de todos (NUÑEZ, 2008).
Para promover a saúde emocional da família, é importante ter tempo de qualidade juntos, ouvir uns aos outros ativamente e ser empático com as emoções dos outros. Além disso, estabelecer rotinas e limites claros, criar espaço para o autocuidado e buscar apoio externo quando necessário também são estratégias importantes.
É importante lembrar que a saúde emocional da família não significa que não haverá problemas ou conflitos, mas sim que a família tem recursos emocionais e habilidades de comunicação saudáveis para lidar com eles de forma construtiva.
Um contexto familiar em que há relações saudáveis entre seus membros, caracterizadas pelo suporte e pelo apoio afetivo, pode ser importante na construção de um futuro promissor, pois nessa direção, a família assume um caráter de proteção no sentido de prevenir que seus membros desenvolvam problemas psicológicos (CARTER, B.; MC GOLDRICK, M. 1995).
Quando não há saúde emocional na família, podem ocorrer várias consequências negativas. Algumas delas podem incluir:
- Impacto no bem-estar mental dos membros da família: A falta de saúde emocional pode levar a problemas como ansiedade, depressão e estresse entre os membros da família. Isso pode afetar sua capacidade de se concentrar nas tarefas diárias, atrapalhar o sono e diminuir a qualidade de vida geral.
- Relações familiares conflituosas: A falta de saúde emocional pode levar a conflitos e tensões dentro da família. Isso pode resultar em brigas frequentes, comunicação deficiente, falta de empatia e falta de apoio emocional entre os membros da família. Algumas formas de relacionamento dentro da família, como o excesso de conflito e a baixa afetividade, podem funcionar como vulnerabilidade, aumentando o risco para saúde física e mental (HESS & FALCKE, 2013).
- Baixo desempenho acadêmico e profissional: Quando a saúde emocional é afetada, pode haver uma diminuição na capacidade de concentração, motivação e desempenho acadêmico ou profissional. Isso pode levar a um ciclo de baixo desempenho, falta de satisfação e frustração.
- Problemas de comportamento: Membros da família com saúde emocional comprometida podem desenvolver comportamentos inadequados, como raiva excessiva, agressão verbal ou física, vícios, compulsões ou isolamento social. Esses comportamentos podem ser prejudiciais para o indivíduo e para a dinâmica familiar como um todo.
- Influência negativa nas crianças: A falta de saúde emocional na família pode ter um impacto particularmente significativo nas crianças. Elas podem desenvolver problemas de saúde mental, dificuldades de socialização, problemas comportamentais e baixo desempenho acadêmico. Além disso, podem ter maior propensão a perpetuar padrões de saúde emocional prejudicados em suas próprias vidas futuras. As crianças têm sua saúde mental associada ao bem-estar dos pais e à qualidade do relacionamento entre ambos. Assim, estarão sob risco, quando crescerem numa família onde o casal esteja em conflito, quer vivam juntos ou não. (SOUZA, 2000 apud HETHERINGTON; HAGAN, 1999).
É importante buscar ajuda profissional, como terapeutas ou conselheiros familiares, se a família estiver enfrentando desafios em sua saúde emocional.
Bibliografia
CARTER, B.; MCGOLDRICK, M. As mudanças no ciclo de vida familiar: uma estrutura para a terapia familiar. VERONESE, M. A. V (Trad.). Porto Alegre: Artes Médicas, 2a ed., pp. 7-29, 1995.
CRUVINEL, M.; BORUCHOVITCH, E. Sintomas de Depressão Infantil e Ambiente Familiar. Psicologia em Pesquisa – UFJF – 3(01); 87-100; janeiro-junho de 2009. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/pdf/psipesq/v3n1/v3n1a08.pdf. Acesso em: 25 novembro. 2023.
FONTELES, L.A. e CAMPOS, V.E. Resiliência como recurso para a saúde emocional. Id on Line Revista de Psicologia, novembro de 2010, vol., no.12, p.16-20. ISSN 1981-1189.
NUÑEZ, 2008, B. Família y discapacidad: de la vida cotidiana a la teoria. Buenos Aires: Lugar Editorial, 2008.
PILETTI; ROSSATO. Psicologia da aprendizagem. São Paulo, SP: Editora Contexto, 2012.
TAYLOR, D. Reflections on parenting: a multigenerational perspective. Family Process, v. 22, setembro, 1983.




