Considerar a formação inicial do professor-educador cristão já representa um passo importante; contudo, manter-se atualizado deve ser um processo contínuo, dinâmico, relacional e intencional. Ou seja, aprender a Palavra de Deus ao longo da vida cristã é permitir o agir de Deus na vida das pessoas. É importante alcançar as pessoas onde elas estão a fim de ensinar a Palavra de Deus.
É necessário que a igreja local faça um investimento na formação continuada do professor-educador cristão, na infraestrutura física pedagógica entre outras. Reconheço que há uma tendência de associar a formação inicial e continuada do educador cristão a um viés acadêmico e formal, caracterizado por elevados níveis de objetividade, intencionalidade, criticidade e metodicidade, desenvolvidos no âmbito de um Seminário. Reconheço que há uma tendência crescente de dissociar a pessoa do professor que atua na Escola Bíblica da concepção de educador cristão, especialmente daquele que possui formação acadêmica em uma instituição de ensino. Contudo, observa-se que a igreja tem deixado de ser reconhecida como um espaço privilegiado de formação. Neste ensaio, defendo a formação continuada do professor-educador cristão no âmbito da igreja local, na medida em que procuro estabelecer conexões entre as funções de professor e de educador cristão, compreendendo-as como expressões de um único ministério na igreja.
Embora o Seminário desempenhe um papel relevante como parceiro nesse processo formativo, a igreja precisa redescobrir sua vocação como agente de transformação e formação geracional, contribuindo de maneira significativa para o desenvolvimento das futuras gerações de professores-educadores cristãos. É no contexto da igreja local que o professor-educador cristão exerce, na prática, o seu ministério. Entretanto, em vez de fazê-lo de forma integral, ele o exerce apenas parcialmente, de maneira esporádica, aos domingos pela manhã. Trata-se de um tempo muito reduzido para criar uma cultura de formação continuada e em serviço. Sou favorável à formação de um maior número de pessoas com dons para ensinar a Palavra de Deus no contexto da igreja local. Trata-se de um ministério para o qual a pessoa não precisa ser uma especialista com formação acadêmica; se a tiver, melhor, não pode ser neófito, ou seja, novo na fé. Contudo, é fundamental que possua o dom do ensino e o exerça com dedicação.
A formação continuada do professor-educador cristão não deve ser encarada como algo isolado, solitário, mas como um compromisso coletivo de todos os envolvidos no processo de aprendizagem da Palavra de Deus no contexto da igreja local. Cabe à liderança cristã investir nos aspectos pessoal e ministerial do professor-educador cristão e, sob um viés organizacional, promover condições para que ele sirva na igreja local. O reconhecimento do ministério do professor-educador cristão por meio de uma prebenda representa uma forma concreta de valorização e fortalecimento desse serviço na igreja local, favorecendo sua dedicação e eficácia. Para que isso seja possível, faz-se necessário um planejamento financeiro que viabilize sua sustentação e evidencie a relevância do ministério do ensino da Palavra no conjunto das atividades eclesiásticas. Vamos discorrer no próximo subponto sobre uma abordagem focada no papel da igreja como comunidade aprendente e de formação do professor-educador cristão.
Referência
BÍBLIA SAGRADA. Almeida Século 21. São Paulo: Vida Nova, 2010.
PHILLIPS, Keith. A formação de um discípulo. 2ª ed. rev. ampl. São Paulo: Vida, 2008.
KELLER, Timothy. A fé na era do ceticismo. Como razão explica Deus. São Paulo: Vida Nova, 2023.
SILVA, Genivaldo Félix da. Sala de aula invertida na escola bíblica e nas tecnologias digitais. Uma alternativa para a educação cristã eficaz na igreja. Curitiba: CRV, 2025.



